A HISTÓRIA DO MEU ROSTO: COMO AGENTES AMBIENTAIS PERCEBEM A ESTIGMATIZAÇÃO (RE)PRODUZIDA PELO DISCURSO

Jutta GUTBERLET, Bruno de Oliveira JAYME,

Resumo

A história do meu rosto entrelaça conceitos da semiótica social e análise do discurso para explorar como um material impresso, neste caso um folheto, pode gerar estigmatização dos catadores, conhecidos no oeste do Canadá como binners. Diariamente, a mídia expõe os humanos a signos (palavras, fotografias, desenhos) que parecem ser triviais, mas influenciam o modo como percebemos o seu significado. Entre os significados frequentemente encontrados nos meios de comunicação, a palavra "scavengers” tem sido usada, com uma conotação prejudicial para se referir aos recicladores autônomos. O presente estudo qualitativo baseia-se em dados coletados com binners durante pesquisa realizada na cidade de Victoria, Canadá. Em primeiro lugar, analisamos o diálogo entre os binners para explorar a percepção do estigma que sofrem. Segundo, usamos um folheto de alerta contra a atividade de catação de lixo (scavenging) produzido pela prefeitura para ilustrar o modo como o conteúdo comunica e reforça a estigmatização contra os recicladores. Em terceiro lugar, analisamos a discussão com o governo local, a comunidade local e os binners sobre gestão inclusiva de resíduos sólidos para descobrir diferentes percepções negativas. Ilustramos como os recicladores percebem o estigma e sugerem que a marginalização pode ser superada reiterando a imagem de agente ambiental.

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