O INDIVÍDUO NA ERA DE SUA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA

Marco Catalão

Resumo

A maior parte dos estudos críticos sobre a novela Las Hortensias, publicada pelo escritor uruguaio Felisberto Hernández em 1949, enfatiza sua retomada de elementos presentes em narrativas do século XIX, associando-o ao Romantismo. Tomando como ponto de partida o estudo de Sucre (2003) que assinala o aspecto comercial nas relações estabelecidas entre as personagens da narrativa, este trabalho procura apontar o diálogo do texto com algumas manifestações da cultura de massa do início do século XX, especialmente o cinema e os museus de cera, chamando a atenção para a singularidade da novela de Hernández. A partir dessa observação, o que a princípio poderia parecer apenas uma história acerca das excentricidades de um indivíduo isolado, ao final da novela, quando se realiza uma grande exposição de bonecas, com notável sucesso de público, revela-se também uma narrativa sobre a cultura de massa e seus efeitos sobre os consumidores. O diálogo da novela com o cinema e com os museus de cera também revela um aspecto pouco ressaltado pela crítica: o caráter paródico da narrativa, que problematiza as oposições tradicionais entre natureza e artifício, autenticidade e fingimento. Sob essa perspectiva, o protagonismo das bonecas e sua “superioridade” sobre os humanos adquirem um novo sentido.

Palavras-chave

Las Hortensias; Felisberto Hernández; narrativa hispano-americana; cultura de massa; cinema.

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