A memória política da repressão no conto de Ricardo Ramos

Maria Beatriz Zanchet

Resumo


As repercussões do Golpe Militar de 1964 e os acontecimentos políticos e sociais dele decorrentes exerceram profundas manifestações no âmbito da literatura. O conto “O terceiro irmão”, de Ricardo Ramos, extraído da obra Circuito Fechado, representativo dessa situação, permite discutir o gesto semântico como um gesto fundamentalmente político: revela-se como uma alegoria crítica sobre o povo brasileiro, crucificado entre a esquerda e a direita, o liberalismo e o conservadorismo, a modernidade e a tradição. A trama ficcional envolve três irmãos, não nominados, mas identificados como o mais velho, o mais novo e o terceiro. A estrutura, centrada no diálogo antitético entre o irmão mais velho (direita, conservadorismo, defesa dos interesses de classe) e o irmão mais novo (esquerda, liberalismo, crítica ao sistema, protesto) é mediada pelo terceiro irmão (síntese e vítima humanitária). Situando o texto em suas relações com o contexto de época, é possível desdobrar a alegoria e estabelecer, entre a tese e a antítese, entre a esquerda e a direita uma síntese crítica e conciliadora conotada no terceiro irmão.

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