A (IM)POTÊNCIA DE LÍNGUA: TESTEMUNHO E EXCEÇÃO EM PRIMO LEVI

Rogério dos Santos França

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar, a partir da obra de Primo Levi, o estatuto da escrita testemunhal e as dificuldades que ela coloca com relação a seu uso, especialmente pela historiografia (o que implica pensar, a partir das discussões encetadas no curso Arquivos Literários, as estratégias de arquivamento e de crítica). Partindo da consideração dos testemunhos de um sobrevivente do extermínio de judeus pelo III Reich, busca-se pensar a relação entre narrativa e acontecimento, bem como em que medida as aporias colocadas pela narrativa testemunhal apontam para o testemunho enquanto limiar da historiografia, e como todas as dificuldades do primeiro podem ser expansivas à segunda. Nesse sentido, considera-se o ato testemunhal atravessado de complexidades que desmontam as facilidades que pretendem ver na narrativa a transposição literal da experiência, bem como vislumbra na precariedade do testemunho (equilibrado em uma dupla dúvida) a (im)potência mesmo da língua que pretende responder ao intolerável.


Palavras-chave

Testemunho; Estado de Exceção; Primo Levi

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