A boca é um verbo: aforismos e sensibilidade trágica nas crônicas de Machado de Assis

Claércio Ivan Schneider

Resumo


Busca-se analisar a sensibilidade trágica como um dos componentes principais na “escrita do eu” promovida pelo cronista Machado de Assis. O ceticismo, o niilismo, a descrença,
o desencanto, o pessimismo, apenas para citar alguns dos componentes do olhar trágico do autor, possibilitam investigá-lo a partir do diálogo entre a literatura e a história da sensibilidade. A confecção de máximas ou de aforismos na escrita da crônica pressupõe não apenas uma postura cética para com a realidade que o escritor assistia e registrava, mas revela a suspeita de todos os dogmas – patrióticos, ideológicos, religiosos, científicos ou filosóficos – que fez deste cronista um crítico feroz de seu tempo, absorvendo ceticismos modernos e contemporâneos, mostrando uma desconfiança aguda na ciência e no homem do Brasil do final do séc. XIX.

Palavras-chave


Machado de Assis; Crônica; Aforismo; Tragédia

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