A carnavalização no romance O Chalaça (1994) e sua reprodução na minissérie televisiva “O quinto dos infernos”

Stanis David Lacowicz

Resumo

Em seu romance Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chalaça (1994), o escritor José Roberto Torero procede à releitura da história brasileira sob a perspectiva de Francisco Gomes da Silva, secretário pessoal do imperador brasileiro D. Pedro I. Aqui, Torero articula os traços que a definem como um novo romance histórico, segundo características apontadas por Menton (1993), com as premissas da picaresca espanhola clássica, expressas na obra inaugural do gênero A vida de Lazarilho de Tormes e suas fortunas e adversidades. Assim, a personagem-narrador Francisco Gomes da Silva, exemplo de pícaro, narra eventos desde a vinda da família real portuguesa para o Brasil (1808), passando por episódios como a proclamação da Independência do Brasil (1822), até o período após a morte de D. Pedro I, em Portugal. Seguindo perspectiva análoga ao novo romance histórico de desconstrução de imagens cristalizadas de personagens e eventos históricos, a minissérie “O quinto dos infernos” ficcionaliza, além de um período semelhante ao representado no romance de Torero (1994), algumas das personagens históricas conhecidas também presentes no romance histórico em questão, dentre as quais D. Pedro I. Esta minissérie foi exibida em 2002 pela rede Globo e concebida como uma parceria entre o autor Carlos Lombardi e o diretor Wolf Maia. Destarte, analisaremos neste trabalho a utilização e importância da carnavalização, seguindo a concepção bakhtiniana do conceito, para fomentar o processo desconstrucionista na obra de Torero (1994) e na minissérie “O quinto dos infernos”, explicitando a intertextualidade entre as duas produções.

Palavras-chave

Novo romance histórico; O Chalaça (1994); intertextualidade; “O quinto dos infernos”.

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