LIMA BARRETO E OS SUBURBANOS: O COTIDIANO TRAÇADO EM LINHAS AFETIVAS

Joachin Melo Azevedo Neto

Resumo

Este texto tem como foco principal discutir a relação entre cotidiano e literatura, partindo das crônicas do escritor Lima Barreto. Ao abordar em sua escrita jornalística diversos temas ligados a vida nos subúrbios como os anseios, temores, alegrias e tristezas das camadas sociais que habitavam os espaços urbanos marginalizados pela ordem republicana, durante o inicio do século XX, Lima Barreto inseriu suas reflexões sobre o cotidiano em uma dimensão mais ampla que condiz com a denúncia das consequencias excludentes da modernidade brasileira. Ao direcionar seu olhar crítico em torno dos costumes de seu tempo, Lima Barreto elaborou um quadro bastante desolador no qual a cidade do Rio de Janeiro é figurada como sendo o palco para o triunfo deliberado de uma série de condutas anti-sociais. Para o cronista carioca, a República consistia em um regime político que incentivava o egoísmo exacerbado, o gosto massificado, os preconceitos de cor e de classe e a decadência moral. Como fruto desta identificação entre Lima Barreto e os populares, temos crônicas marcadas por uma sensibilidade profunda, que conseguiram captar os ritmos dos modos de vida das pessoas simples, a tonalidade das relações sociais que aconteciam nos subúrbios – marcadas também por uma série de relações de força – e os nuances de diversos sujeitos históricos.

Palavras-chave: modernidade, cotidiano, Lima Barreto

Palavras-chave

Cotidiano, Primeira República, Lima Barreto

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