O OUTONO DO PATRIARCA E O NOVO ROMANCE HISTÓRICO

Michelle Torre

Resumo

O artigo propõe pensar o romance O outono do patriarca, do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1975) com base nas contribuições teóricas do uruguaio Fernando Aínsa sobre o novo romance histórico hispano-americano. Busca-se demonstrar como esse romance de García Márquez pode ser pensado como um novo romance histórico, apoiando-se nas categorias propostas por Fernando Aínsa. Para isso, utiliza-se o artigo do crítico uruguaio intitulado “La nueva novela histórica”, no qual são lançadas as características do novo romance histórico. Para ele, o novo romance empreende uma releitura do passado histórico e tem como uma de suas principais características o uso da paródia, que ao desconstruir personagens históricos, os humaniza novamente. A partir dessas considerações, o presente artigo demonstra a presença das características do novo romance histórico, segundo Aínsa, em O outono do patriarca. O trabalho também analisa a desconstrução da imagem do patriarca, protagonista da obra, com base nos conceitos de ironia e de sátira, além das considerações de Mikhail Bakhtin sobre as imagens do “baixo” material e corporal, associadas ao rebaixamento. Nesse sentido, percebe-se que O outono do patriarca não apenas relê o passado, mas reflete sobre as problemáticas contemporâneas à sua produção, trazendo uma multiplicidade de perspectivas sobre o patriarca e a história do país representado no romance. Assim, a obra elimina a distância entre a história passada e o presente, pois estabelece um diálogo entre dois tempos.

Palavras-chave

romance; história; O outono do patriarca.

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