As guerras de independência no romance histórico brasileiro contemporâneo: conflitos, fissuras, dissenções

Antônio R. Esteves

Resumo

Setores tradicionais da historiografia brasileira, na linha da famosa cordialidade desse
povo, tão mentada por importantes setores da intelectualidade nacional, costumam apresentar o
processo de independência do país como pacífico. No dia sete de setembro de 1822, o Príncipe
herdeiro português proclamou a independência do novo país e instaurou o regime monárquico
que durou até 1889. Manteve, com esse ato, sob sua coroa o imenso território que hoje constitui
o Brasil. Na verdade, o processo de construção do estado brasileiro não foi tão pacífico como
costumam contar em muitos livros escolares de história nem tampouco deixou de colecionar
conflitos ao longo de cerca de um século. Nas últimas décadas, historiadores e romancistas vêm
se encarregando de apontar as fissuras e dissenções desse processo. A história, desse modo,
aparece reescrita em vários romances com diferentes paradigmas textuais. Nesse contexto, o
presente trabalho aponta como três escritores contemporâneos trataram de aspectos das guerras
de independência. Assim, a leitura de Viva o povo brasileiro (1984), de João Ubaldo Ribeiro;
Lealdade (1997), de Márcio Souza e Anita (1999), de Flávio Aguiar, demonstra como a literatura
pode ler de modo privilegiado os signos da história.

Palavras-chave

Romance histórico brasileiro contemporâneo; Releituras da história; Guerras de independência no Brasil.

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