Construção e desconstrução de estereótipos em Filhas do Vento

Terezinha Richartz, Elaine de Souza Pinto Rodrigues

Resumo

No contexto social pós-moderno, conceituar identidade é um desafio, pois exige uma análise complexa e simbólica que resulta das mais diversas experiências históricas. A identidade é fragmentada, mas marcada por aproximações razoáveis, ou seja, identificações intersubjetivas criadas coletivamente a partir de um senso de pertencimento, conflitos e negociações. São inúmeros significados que excluem e incluem, categorizam e criam atributos para um determinado grupo. A partir desta perspectiva, o objetivo deste trabalho é analisar uma sequência do filme Filhas do Vento, dirigido por Joel Zito Araújo e lançado em 2005, identificando as estratégias narrativas utilizadas pelo diretor na desconstrução de estereótipos a partir da imputação de estereótipos irracionais que marcam e naturalizam as discriminações raciais, corroboram para sua invisibilidade social perversa e arbitrária, e estimulam a violência aos direitos sociais e étnicos da população afro-brasileira. Para isso, a análise fílmica será delineadapelos métodos apontados por Francis Vanoye, Anne Goliot-Lété, Laurent Jullier e Michel Marie.A fundamentação teórica será norteada pelas discussões teórico-conceituais de Stuart Hall, Pierre Bourdieu, Florestan Fernandes e Joel Zito Araújo. O presente trabalho resultou em uma análise que desconstruiu estereótipos naturalizados culturalmente na sociedade, a partir da identificação e reconhecimento dos mesmos, afirmados pelo diretor na sequência fílmica e perpetuados em uma sociedade que persiste na ideia falaciosa de democracia racial. Além de reforçar o caráter de ação afirmativa do filme, que coloca o negro no protagonismo na constituição do elenco todo negro como na discussão de questões referentes à negritude.

Palavras-chave

Estereótipo; identidade; racismo.

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