Towards a Geographical Theory of Justice: The Right to the Planet
DOI:
https://doi.org/10.48075/qmsf4g13Abstract
Abstract
Geography ‘discovered’ the topic of social justice, in an explicit and profound way, at least more than half a century ago, with the publication of David Harvey’s Social Justice and the City. Of course, there were geographers who discussed in depth various aspects of social (in)justice long before that; we only need to think about anarchists Élisée Reclus and Piotr Kropotkin, but we could even go back further in time, remembering the social criticisms made by Alexander von Humboldt during his fieldwork in the Americas, particularly his criticism of slavery. Nevertheless, it is with Harvey’s famous book that a specifically geographical treatment of the theme of social justice takes shape directly, amidst a range of philosophical dialogues that extended from liberal authors to Marx. Since then, geographers have made significant contributions to our reflections on the spatial dimension of justice. The opposite is much less true: in the fields that have traditionally been devoted, for centuries and even millennia, to discussions on social justice – first and foremost political philosophy and law, followed by sociology and political science later, as well as other social sciences –, little attention has been paid to the real and potential contributions of geography and socio-spatial research in general. Even the growing appreciation of spatiality in the humanities and social sciences (the celebrated ‘spatial turn’) has not led to significant interest in geographers’ research and reflections. One of the central themes of this article is the concept of ‘necropolitics,’ introduced by Cameroonian intellectual Achille Mbembe. In its concrete expressions, necropolitics is very often an eco-necropolitics, which confronts us with the challenges of socio-ecological metabolism. To face ‘eco-necropolitics’ in all its multidimensional and multi-scalar complexity, it is essential to go beyond a purely ‘sectoral,’ non-spatial view. It is necessary to incorporate, deeply and densely, the spatial dimension of reality. In this paper, four aspects of justice are analysed, compared, and integrated: the social one, the spatial one, the environmental one, and the ecological one. With this, I hope to contribute to reflecting on the analytical parameters that can help us to build concrete alternatives.
Keywords: Social justice; Spatial justice; Environmental justice; Ecological justice; Right to the planet.
Rumo a uma teoria geográfica da justiça: O direito ao planeta
Resumo
A Geografia “descobriu” o tema da justiça social, de forma explícita e profunda, há pelo menos meio século, com a publicação de A justiça social e a cidade, de David Harvey. É claro que, muito antes disso, já havia geógrafos que discutiam em profundidade vários aspectos da (in)justiça social; basta pensarmos nos anarquistas Élisée Reclus e Piotr Kropotkin, mas poderíamos recuar ainda mais no tempo, lembrando as críticas sociais feitas por Alexander von Humboldt durante seu trabalho de campo nas Américas, particularmente sua crítica à escravidão. No entanto, é com o famoso livro de Harvey que um tratamento especificamente geográfico do tema da justiça social toma forma diretamente, em meio a um arco de diálogo filosófico que se estendeu de autores liberais a Marx. Desde então, os geógrafos têm dado contribuições relevantes para refletirmos sobre a dimensão espacial da justiça. O oposto é muito menos verdadeiro: nos campos que tradicionalmente se dedicaram, durante séculos e até milênios, a discussões sobre justiça social – em primeiro lugar a Filosofia Política e o Direito, seguidos posteriormente pela Sociologia e pela Ciência Política, bem como outras ciências sociais –, pouca atenção tem sido dada às contribuições reais e potenciais da Geografia e da pesquisa sócio-espacial em geral. Mesmo a crescente valorização da espacialidade nas humanidades e ciências sociais (a célebre “virada espacial”) não levou a um interesse significativo pela pesquisa e pelas reflexões dos geógrafos. Um dos motes deste artigo é o conceito de “necropolítica”, introduzido pelo intelectual camaronês Achille Mbembe. Em suas expressões concretas, a necropolítica é, muito frequentemente, uma eco-necropolítica, a qual nos confronta com os desafios do metabolismo ecológico-social. Para enfrentar a “econecropolítica” em toda a sua complexidade multidimensional e multiescalar, é essencial ir além de uma visão puramente “setorial”, não espacial. É necessário incorporar, profunda e densamente, a dimensão espacial da realidade. Neste artigo, quatro aspectos da justiça são analisados, comparados e integrados: o social, o espacial, o ambiental e o ecológico. Com isso, espero contribuir para a reflexão sobre os parâmetros analíticos que podem nos ajudar a construir alternativas concretas.
Palavras-chave: Justiça social; Justiça espacial; Justiça ambiental; Justiça ecológica; Direito ao planeta.
Hacia una teoría geográfica de la justicia: El derecho al planeta
Resumen
La Geografía “descubrió” el tema de la justicia social, de forma explícita y profunda, hace al menos más de medio siglo, con la publicación de La justicia social y la ciudad de David Harvey. Claro que, mucho antes, hubo geógrafos que profundizaron en diversos aspectos de la (in)justicia social; basta pensar en los anarquistas Élisée Reclus y Piotr Kropotkin, pero podríamos remontarnos aún más atrás, recordando las críticas sociales de Alexander von Humboldt durante su trabajo de campo en las Américas, en particular su crítica a la esclavitud. Sin embargo, es con el famoso libro de Harvey que se configura directamente un tratamiento específicamente geográfico del tema de la justicia social, en medio de un diálogo filosófico que se extendió desde autores liberales hasta Marx. Lo contrario es mucho menos cierto: en los campos que tradicionalmente se han dedicado, durante siglos e incluso milenios, a los debates sobre justicia social - en primer lugar la Filosofía Política y el Derecho, seguidos posteriormente por la Sociología y la Ciencia Política, así como otras ciencias sociales -, se ha prestado poca atención a las contribuciones reales y potenciales de la Geografía y la investigación socioespacial en general. Ni siquiera la creciente apreciación de la espacialidad en las humanidades y las ciencias sociales (el célebre “giro espacial”) ha generado un interés significativo en las investigaciones y reflexiones de geógrafos. Desde entonces, los geógrafos han hecho contribuciones significativas a nuestra reflexión sobre la dimensión espacial de la justicia. Uno de los temas centrales de este artículo es el concepto de “necropolítica”, introducido por el intelectual camerunés Achille Mbembe. En sus expresiones concretas, la necropolítica es a menudo una eco-necropolítica que nos confronta con los desafíos del metabolismo ecológico-social Para afrontar la “eco-necropolítica” en toda su complejidad multidimensional y multiescalar, es esencial ir más allá de una visión puramente “sectorial” y no espacial. Es necesario incorporar, profunda y densamente, la dimensión espacial de la realidad. Este artículo analiza, compara e integra cuatro aspectos de la justicia: el social, el espacial, el ambiental y el ecológico. Con esto espero contribuir a la reflexión sobre los parámetros analíticos que pueden ayudarnos a construir alternativas concretas.
Palabras clave: Justicia social; Justicia espacial; Justicia ambiental; Justicia ecológica; Derecho al planeta.
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