Frantz Fanon e a crise das ontologias europeias
deslocamentos fenomenológicos e existenciais
DOI:
https://doi.org/10.48075/8jd79951Parole chiave:
Fanon, ontologia, existencialismo, situação colonialAbstract
Em Pele negra, máscaras brancas (1952), Frantz Fanon declara a impossibilidade de toda ontologia em compreender o ser do negro caso deixe de lado a existência. Neste artigo, investigamos os deslocamentos que o psiquiatra martinicano provoca ao reivindicar a existência negra contra pretensões ontológicas universais que, mais do que insuficientes, revelam-se sustentáculos do mundo colonial. Partimos da crise da racionalidade europeia enunciada por Husserl — que diagnostica o afastamento das ciências modernas do mundo-da-vida — como ponto de contraposição necessário. Ainda que legítimo em seu diagnóstico, Husserl permanece inscrito na confiança da vocação espiritual da Europa como centro normativo do humano, o que revela os limites de sua crítica. Fanon radicaliza essa questão ao mostrar que a crise não se limita à perda de sentido das ciências, mas se manifesta como falha colonial das pretensões universalizantes: a ontologia europeia revela-se descrição particularista do modelo branco-europeu. Argumentamos que Fanon não recusa simplesmente a ontologia, mas a coloca em crise ao tencioná-la e a deslocá-la a partir da situação colonial, propondo com isso, suas próprias descrições fenomenológico-existenciais sobre o ser, a corporeidade e a relação com o Outro.
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