Cazuza entre os deuses e os mortais

reflexões daseinsanalíticas

Autori

  • Diego Luiz Miiler Fascina Universidade Estadual do Paraná image/svg+xml
  • Paulo Eduardo Lopes da Silva Pontifícia Universidade Católica do Paraná image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.48075/rdamgn74

Parole chiave:

Cazuza, Fenomenologia, Daseinsanalyse, Martin Heidegger

Abstract

Em 1989, tornou-se pública a doença de Cazuza, um dos grandes nomes do rock brasileiro dos anos 1980. Acometido pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), o cantor e compositor se viu diante de uma situação a qual lhe interpelava de um modo muito peculiar: ter de ver-se com sua própria finitude, enquanto ser-para-a-morte (Sein-zum-Tode). Nesse contexto, muitas composições surgiram, revelando, por meio de um dizer poético, sua peculiar experiência frente ao problema que enfrentava. Este artigo buscou interpretar as letras dessas canções de Cazuza sob a luz da Análise Fenomenológica-Existencial (Daseinsanalyse). Nossas reflexões nos possibilitaram uma aproximação desse eu lírico capaz de apreendê-lo em seu caráter singular e anárquico, isto é, enquanto Dasein que, em seu existir, oscila entre a potência inabalável dos deuses e a impotência abaladora dos humanos. No doloroso caminho de enfrentamento da doença, o dizer (po)ético de Cazuza nos conduz não apenas ao descerramento da verdade de seu ser enquanto existente, mas também da verdade ontológica de um mundo, de um povo histórico, de uma época em que o ser, em seu destinamento (Geschick), se doou no acontecimento extra-ordinário (Ereignis) e, ao mesmo tempo, recuou na desapropriação (Enteignis) daquilo que permaneceu – e ainda permanece – na não-verdade (Unwahrheit), no mistério, no ocultamento.

Pubblicato

30/09/2026

Come citare

FASCINA, Diego Luiz Miiler; SILVA, Paulo Eduardo Lopes da. Cazuza entre os deuses e os mortais: reflexões daseinsanalíticas. Aoristo - International Journal of Phenomenology, Hermeneutics and Metaphysics, [S. l.], v. 9, n. 3, 2026. DOI: 10.48075/rdamgn74. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/aoristo/article/view/38593. Acesso em: 19 ott. 2026.