Encenação e Publicização do Argumento: Multimodalidade e Agência Coletiva
DOI:
https://doi.org/10.5935/1981-4755.v27n62a05Resumo
Este artigo discute a argumentação na educação básica a partir de uma perspectiva da atividade sócio-histórico-cultural e decolonial, compreendendo-a como instrumento e resultado da formação de sujeitos críticos, éticos e agentivos. Defende-se a argumentação como um processo colaborativo de construção de significados, posições e ações coletivas diante de questões socialmente relevantes (Vygotsky, 1934/1994; Bakhtin, 2004; Freire, 1987). O objetivo do estudo é analisar como a argumentação colaborativa e multimodal emerge em uma atividade de fotografia encenada sobre a temática da moradia, desenvolvida no âmbito do Projeto Brincadas, em contexto escolar intercultural. Nessa vivência, estudantes e educadores articularam leitura crítica de textos e imagens, debate coletivo, criação multimodal e intervenção colaborativa. A análise evidencia que, ao encenar problemas sociais, negociar soluções e apresentar propostas ao grupo, os participantes ativam múltiplas linguagens, como corpo, gesto, voz, espaço, imagens e afetos, para fundamentar seus pontos de vista, escutar o outro e agir coletivamente. Os resultados sugerem que práticas envolvendo o Brincar podem funcionar como dispositivos de argumentação viva, favorecer agência (Stetsenko, 2023), tomada de decisão compartilhada e engajamento ético, em consonância com a Competência Geral 7 da BNCC. Conclui-se que o Brincar constitui caminhos potentes para o ensino da argumentação na educação básica e para a formação docente comprometida com justiça social, democracia e bem viver, em diálogo com a perspectiva do Multiletramento Engajado (Liberali, 2022).
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