Toponímia entre mares: formação de sinais toponímicos em Portugal e no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.48075/odal.v7i1.36470Palabras clave:
Toponímia, Iconicidade, Língua Brasileira de Sinais, Língua Gestual Portuguesa, Experiência corporalResumen
Neste artigo, descrevemos a forma de sinais topônimos da língua brasileira de sinais (Libras) e da língua gestual portuguesa (LGP), com particular atenção ao papel do corpo e da gestualidade na nomeação de lugares. Trata-se de sinais icônicos, que preservam características relacionadas ao processo de concepção. O corpus é composto por dez sinais – cinco da Libras e cinco da LGP – todos caracterizados por forte iconicidade. Essa propriedade permite que cada sinal preserve elementos ligados à percepção, às práticas socioculturais e à concepção de mundo das comunidades surdas brasileiras e portuguesas, refletindo modos particulares de representar visual e espacialmente os referentes geográficos. A descrição dos sinais considera, sobretudo, o papel do corpo na organização das línguas de sinais, dialogando com perspectivas que enfatizam a centralidade da experiência corporal na cognição e na estrutura linguística (Johnson, 1992; Langacker, 2008). Adicionalmente, discutimos a emergência e a lexicalização de estruturas semilexicalizadas, como classificadores, conforme observado em estudos sobre línguas de sinais (Carneiro, como citado em Carneiro et al., 2023; Zeshan, como citado em Dixon & Aikhenvald, 2003; Zeshan, como citado em Emmorey, 2003). Esses recursos contribuem para a construção imagética dos sinais e para a representação esquemática de características geográficas ou culturais. Os resultados indicam que as motivações para a formação dos topônimos analisados abrangem aspectos culturais, como vestimentas típicas, adereços e festividades associadas aos lugares nomeados, bem como elementos prototípicos da geografia local, especialmente acidentes hidrográficos, além de características estruturais de edificações e pontes. Observamos que a experiência corporal gera imagens visuais e cinestésicas que são posteriormente fixadas na forma dos sinais, revelando como os processos de concepção se traduzem em escolhas fonológicas específicas dentro dos sistemas da Libras e da LGP. Ainda que alguns sinais apresentem traços que sugerem influência da Língua Portuguesa, a iconicidade e a gestualidade permanecem como princípios centrais na construção desses topônimos. O estudo contribui para os estudos onomásticos em línguas de sinais ao evidenciar a centralidade da corporeidade e da iconicidade na formação de topônimos, ampliando a compreensão dos processos de nomeação em perspectiva comparada.
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