“Fabulações críticas”/ “revisões negras”
movimentos críticos e ficcionais, “ao lado do arquivo e contra ele”, nas poéticas afrodiaspóricas
DOI:
https://doi.org/10.48075/rlhm.v22i39.34709Resumen
O presente artigo tem como objetivo propor um diálogo entre crítica e ficção no mundo afrodiaspórico. Para isso, utilizamos como corpus, de um lado, o ensaísmo de Saidiya Hartman (2007, 2008) em Lose Your Mother e “Venus in Two Acts” e Christina Sharpe (2016) em In the Wake: On Blackness and Being. De outro lado, a ficção afro-brasileira de Ana Maria Gonçalves em Um defeito de cor (2006) e Eliana Alves Cruz em Água de barrela (2015). Pelas datas originais de publicação destacadas, podemos perceber que são obras mais ou menos contemporâneas. Nessa linha, a nossa hipótese é que existe uma circulação ideias que têm como o eixo a noção de arquivo. São trabalhos do e contra o arquivo, buscam suplementar seus vazios, silêncios e sua noção positivista de verdade por meio de (contra)arquivos, elas misturam pesquisa e experimentação. Aqui, poderíamos pensar em como a ficção afro-brasileira é o motor de noções críticas como “fabulações críticas” ou “revisões negras”. Ou vice e versa. Na tradução de O Atlântico negro para o português, Paul Gilroy (2012) propõe uma espécie de “reorientação conceitual” que alargaria esse campo diaspórico, incluiria também o Brasil, antes uma notável ausência. Nessa perspectiva, temos um espaço de relações mútuas que permite contatos entre crítica e ficção que são, por sua vez, “imprevisíveis e não planejados, vindos das fontes mais diversas”.
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