Lygia Fagundes Telles às Margens da História
DOI:
https://doi.org/10.48075/28weab60Resumo
Este ensaio analisa a convergência entre narrativa ficcional e experiência histórica na obra de Lygia Fagundes Telles, tomando como objeto central o romance As Meninas (1973). A investigação parte da premissa de que a literatura não atua sendo mero espelho documental, mas como um "artefato verbal" (White, 1994) capaz de refigurar a temporalidade e dar inteligibilidade ao trauma coletivo. Estruturalmente, o ensaio percorre a evolução da escrita lygiana, da clausura doméstica dos anos 1940 à maturidade política da década de 1970, observando como a cidade de São Paulo transita de cenário a agente sobre as subjetividades. Fundamentado nos conceitos de "tempo narrado" de Paul Ricoeur e na "literatura testemunhal" de Márcio Seligmann-Silva, discute-se como o romance em questão inscreve as fraturas da Ditadura Militar brasileira através do fluxo de consciência e da polifonia de suas protagonistas. Conclui-se que a estética de Telles estabelece uma "política da memória" que confronta os silêncios da historiografia oficial, apresentando a ficção como uma fonte indispensável para a compreensão das permanências autoritárias e das zonas de sombra da experiência humana na história recente do Brasil.
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