Impacto da Pandemia pelo Sars-Cov-2 nas Infecções por Streptococcus Pneumoniae em um Hospital Infantil Terciário do Sul do Brasil
Uma Análise Comparativa Pré e Pós Pandemia
DOI:
https://doi.org/10.48075/aes.v11i2.36511Palavras-chave:
Streptococcus pneumoniae, SARS-COV-2, Infecções respiratórias, Resistência antimicrobiana, PediatriaResumo
Introdução/Objetivo: O Streptococcus pneumoniae permanece como agente etiológico de grande impacto na morbimortalidade infantil. A pandemia de COVID-19 modificou o comportamento das infecções em crianças, levantando a necessidade de avaliar possíveis mudanças no perfil das infecções pneumocócicas. Este estudo analisou o perfil clínico, microbiológico e terapêutico das infecções por S. pneumoniae em crianças internadas em um hospital terciário no Sul do Brasil nos períodos pré e pós-pandemia, buscando identificar o impacto da pandemia nesses desfechos. Métodos: Trata-se de estudo retrospectivo, observacional e analítico, incluindo pacientes internados por mais de 24 horas com cultura positiva para S. pneumoniae entre janeiro/2018 e dezembro/2024. Dados clínicos, epidemiológicos, microbiológicos, terapêuticos e desfechos foram analisados por estatística descritiva e teste do qui-quadrado (p<0,05). Resultados: Predominaram crianças menores de 2 anos (45,8%) e previamente hígidas (>60%). O registro vacinal foi escasso (9,2% no total; 2,4% no pós-pandemia). Resistência antimicrobiana esteve presente em 66% dos isolados, destacando-se Sulfametoxazol+Trimetoprima (57%) e Clindamicina (56%), sem diferença significativa entre os períodos. A pneumonia foi o diagnóstico mais frequente (60,8%), sem alteração relevante no sítio de infecção ou tempo de internação. Observou-se tendência de maior gravidade no pós-pandemia, com mais internações em UTI (66,3% vs 48,6%) e maior proporção de internações acima de 15 dias (51,8% vs 43,2%). Conclusão: O estudo mostrou maior gravidade pós-pandemia, com internações mais longas e necessidade de UTI, possivelmente por “débito de imunidade”, reforçando vigilância, manejo adequado e importância da vacinação.
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