“O fantasma da Reforma Agrária": medo, terror e fabricação de inimigos na reação antirreformista dos latifundiários durante a nova república.
DOI:
https://doi.org/10.36449/rth.v26i1.26554Palavras-chave:
Medo, Terror, Reforma Agrária, Nova RepúblicaResumo
Em 1985, o governo de José Sarney apresentou aos trabalhadores rurais, reunidos no IV Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais, em Brasília, a proposta para a elaboração do Plano Nacional de Reforma Agrária – PNRA. O plano desencadeou uma intensa reação antirreformista dos setores latifundiários, aterrorizados pela possiblidade de modificação da estrutura fundiária no país, contrários à reforma, que consideravam esquerdizante, confiscatória e punitiva. O medo e o terror foram instrumentos eficazes na tarefa para tentar interferir na orientação reformista do governo, atingindo os trabalhadores na forma de ameaças, perseguições, destruição de casas, assassinatos. O artigo trata do uso do medo e do terror, bem como da fabricação de inimigos, como estratégias de uma classe latifundiária para tentar manter seus privilégios.
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