Representação e diversidade no livro didático de Arte
uma análise crítica de imagens de pessoas negras na coleção "Jornada Novos Caminhos" (PNLD 2024/2027)
DOI:
https://doi.org/10.48075/rt.v20i2.36936Palavras-chave:
livro didático, ensino de arte, relações étnico-raciais, regimes de visualidadeResumo
O presente artigo analisa criticamente os modos de representação de pessoas negras nos livros didáticos de Arte do 6º ano do Ensino Fundamental, tomando como objeto de estudo a coleção Jornada: Novos Caminhos (Editora Saraiva, 2022), distribuída pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD 2024–2027). Fundamentado nos Estudos Culturais e nas contribuições de Stuart Hall (2016), José Carlos Libâneo (1994) e Vera Maria Candau (2012), o estudo compreende o livro didático como dispositivo político-pedagógico e meio de circulação de regimes de visualidade que produzem sentidos, identidades e hierarquias raciais no contexto escolar. Metodologicamente, a pesquisa desenvolve-se por meio de análise documental e iconográfica, articulando dados quantitativos e qualitativos sobre a presença, os enquadramentos e os contextos de aparição das imagens. Os resultados evidenciam a centralidade da branquitude como norma silenciosa e a gestão controlada da presença negra, marcada por assimetrias numéricas, estereotipias e associações recorrentes entre negritude, vulnerabilidade territorial e carência social. Embora existam imagens de potência e protagonismo negro, estas aparecem como exceções despolitizadas, frequentemente dissociadas de mediações pedagógicas críticas. Conclui-se que, sem uma abordagem didática crítica, intercultural e antirracista, alinhada à Lei nº 10.639/2003, o material tende a naturalizar desigualdades raciais e a reforçar hierarquias simbólicas no currículo visual do ensino de Arte.
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Referências
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