UMA EXPERIÊNCIA ANACRÔNICA: A SEREIA CARRANCUDA

Ligia Maria Bremer

Resumo

“Sempre diante da imagem estamos diante do tempo”, nos ensina o historiador de arte Georges Didi-Huberman. A imagem traz a sua contemporaneidade ao ser olhada e ao mesmo tempo quando ela nos olha. Seu passado entrecruza o presente e o futuro. São diferentes tempos em uma mesma imagem possibilitando diversos sentidos e significações. A imagem da Sereia está estreitamente entrelaçada por uma complexidade de sentidos. Este ser mitológico, híbrido, metamorfoseado (metade mulher/ metade ave, ou metade mulher/ metade peixe), proporciona fazer diferentes abordagens sobre as muitas facetas da modernidade e suas consequências. Possibilita cruzar temporalidades e observar como o tempo não se apresenta de forma cronos, mas sim aion, permitindo analisar o sentido das Sereias em períodos distintos das nossas artes. Neste trabalho destacamos as esculturas de Sereia feitas em cerâmica pelo artista plástico Francisco Brennand, que lamentam e silenciam a terra descoberta, assim como as interferências que a modernidade teve no “destino” da civilização. Brennand trabalha nesse anacronismo. Suas Sereias, apesar de vistas como mudas, são na realidade faladeiras. Possuem inúmeros discursos visuais, nos trazem uma experiência, nos dizem algo. No entanto, nos é proposto experimentar, “Pensar e não ver”, para desvendar os sentidos e significados destas Carrancas de Recife.

Palavras-chave

Imagem; Tempo; Anacronismo; Sereia

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