AUTOCONSCIÊNCIA, INTERTEXTUALIDADE E ASSUJEITAMENTO: (UMA) LEITURA METAFICCIONAL DE BOLOR, DE AUGUSTO ABELAIRA

Itamar Aparecido Oliveira, Oscar Nestarez, Raul Greco

Resumo

Esse artigo analisa a obra Bolor, de Augusto Abelaira, sob a ótica de seus elementos metaficcionais, partindo, principalmente, de preceitos estruturais encontrados nos estudos acerca da narrativa narcisista de Linda Hutcheon. Nessa análise, as referências metaficcionais foram agrupadas em três categorias: elementos discursivos do próprio texto, veiculados por meio de narrativa confessional em forma de diário, o que gera mais indagações do que respostas, levando o leitor a participar do processo da escrita; elementos de intertextualidade que permitem o diálogo do texto literário com outras formas de arte, como a pintura e a música – a primeira largamente apresentada na descrição das massas cromáticas das personagens e de suas texturas comportamentais, a segunda, dando o tom narrativo altamente dissonante; e, finalmente, a análise dos elementos políticos da obra, permitindo que o assujeitamento do povo português, que vivenciava a ditadura, fosse refletido por meio da partilha do sensível captada na passividade das personagens. Ao evidenciar esses elementos, evidencia-se que o romance de Abelaira não prima pelo produto, ou seja, pela obra pronta, mas, muito antes, convida o leitor a fundir-se no processo de sua feitura e até mesmo ao questionamento deste processo, sendo assim uma das obras de referência na Literatura Pós-Moderna.

Palavras-chave

metaficção; narrativa narcisita; intertextualidade; assujeitamento; pós-modernidade.

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