A presença do cangaço em "Memorial de Maria Moura" e "Dôra, Doralina"

Jerri Antonio Langaro

Resumo

O propósito deste estudo é analisar como a temática do cangaço se faz determinante no eixo narrativo da obra Memorial de Maria Moura, de Rachel de Queiroz, e como os vestígios de tal temática estão presentes na obra Dôra, Doralina, da mesma autora. O cangaço foi uma forma de banditismo social ocorrida no sertão nordestino brasileiro entre o final do século XIX e início do século XX, tendo em Lampião o seu maior expoente. Ao se analisar a obra Memorial de Maria Moura, percebe-se que a protagonista Maria Moura ingressa no cangaço para poder sobreviver em um universo patriarcal e conservador. Os fatos trágicos que a envolvem se fazem determinantes para que ela transmigre da posição de sinhazinha à de líder de um bando de jagunços. Em Dôra, Doralina, os vestígios do cangaço são marcantes, principalmente, na personagem Delmiro, ex-jagunço e fugitivo da polícia que, ao aparecer baleado e delirante na fazenda Soledade, passa a contar com o carinho e proteção de Dôra – a narradora protagonista –, herdeira de Soledade. Ao se analisar comparativamente as duas obras, é possível depreender que Maria Moura teve sua inserção criminal devido às injustiças sociais, marcantes no contexto feminino do Nordeste brasileiro do século XIX. Já, Delmiro, ingressou no cangaço por falta de maiores perspectivas na sociedade semi-patriarcal sertaneja do início do século XX. Partindo da relação entre literatura e sociedade, analisar-se-á como Raquel de Queiroz se vale de suas memórias para resgatar o cangaço, condição social com a qual a escritora estivera em contato, principalmente por ter nascido e se criado na região na qual ela ficcionaliza os referidos romances.

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