Uma Sociedade Imperfeita Refletida em Dona Perfecta, de Benito Pérez Galdós (1876)

Juliana de Sá França, Claudinéia Soares de Souza, Juliana Astori, Gilmei Francisco Fleck

Resumo


O renomado escritor espanhol Benito Pérez Galdós foi um perito em usar a literatura para descrever o contexto histórico da segunda metade do século XIX na Espanha, onde convenções tradicionais se confrontavam com estudos científicos. Na obra Doña Perfecta, Galdós (1876) explora justamente o universo de contraste entre a vida provinciana, costumes e conservadorismo da sociedade de Orbajosa e as novas idéias do jovem Pepe, que, vindo da capital e não aceitando as regras da província, acaba por morrer em razão de seus conceitos. A personagem cujo nome serve de título à obra, Perfecta Polentinos, pode ser tida como a mais fiel representante do espírito de uma sociedade que se julgava perfeita, mas que, na realidade, era composta por imperfeições. Sob a máscara da bondade, da religiosidade e da simplicidade, estavam ocultos a hipocrisia, a mediocridade e um desmedido fanatismo religioso, que repudiava quaisquer valores
e convicções que não estivessem baseados na fé propagada pela Igreja. Nesta perspectiva, a ação do narrador na obra revela a verdadeira condição da mulher sujeita a um jogo de interesse, às
dissimulações impostas por uma sociedade regida por valores masculinos e pela fé que justifica um comportamento distorcido das personagens femininas. Uma análise da construção discursiva
da personagem Doña Perfecta e suas ações dentro desta sociedade de aparências, que preserva e cultiva valores medievalistas, é o que objetivamos ao longo deste trabalho.

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DOI: https://doi.org/10.48075/rlhm.v3i3.1183

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