De Manzoni a Eco: as várias facetas do romance histórico na Itália

Ana Maria Carlos

Resumo

O trabalho busca apresentar um panorama do romance histórico italiano partindo dos estudos de três importantes críticos italianos, Margherita Ganeri, Giorgio Bàrberi Squarotti e Ermanno Paccagnini. O nascimento do gênero na Itália se deu em 1827, momento em que, motivado pelos ideais revolucionários do Romantismo, Alessandro Manzoni escreve sua obra-prima I promessi sposi, um romance “misto de história e de invenção”. Incluindo ao modelo scottiano de romance histórico uma visão de mundo católica, Manzoni buscou, em acontecimentos históricopolíticos do passado, protótipos de heróis e de glórias que pudessem acender os ideais patrióticos na mente dos leitores. Nas décadas posteriores, durante o Naturalismo e o Verismo, o gênero entra numa espécie de hibernação, pois a discussão sobre a representação histórica em literatura cede espaço ao debate sociológico, uma vez que a preocupação dos escritores não era mais propagar as falsificações da historiografia oficial e sim denunciar as mazelas sociais sofridas pelas populações carentes. Uma visão desiludida da história irá marcar o ressurgimento do gênero na Itália no início do século XX, quando são produzidos os chamados romances anti-históricos que, em sua maioria, adicionavam outros discursos em sua composição, como o diário e a autobiografia. É, porém, durante a chamada era da Pós-Modernidade que acontece o boom do novo romance histórico, marcado sobretudo pelo lançamento, em 1980, da obra Il nome della rosa, de Umberto Eco

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