Uma representação da guerra contra o Paraguai

Douglas Rafael Fachinello

Resumo

Na obra ficcional A solidão segundo Solano López (1982), Carlos de Oliveira Gomes apresenta-nos uma possibilidade de como a Guerra do Paraguai pode ter ocorrido. O autor elaborou um romance que possui a grande maioria dos recursos apontados por Aínsa, em seu artigo "La nueva novela histórica latinoamericana " (O novo romance latino-americano) (1991), e Menton, em seu livro "La nueva novela histórica da América Latina, 1979 – 1992" (O novo romance histórico da América Latina, 1979 – 1992) (1993), criando assim uma narrativa histórica que questiona alguns dos livros mais tradicionais de historiografia sobre o tema, e com isso ilustra o imaginário de seus leitores com uma guerra maniqueísta. Apresentaremos dois recursos usados pelo autor na construção de seu livro: a redação de um prólogo que não faz parte da diegese propriamente, mas que mesmo assim aponta os motivos geradores do conflito e cria uma definição para estes; e a caracterização dos personagens históricos como seres humanizados e, às vezes, nada heróicos, diferente da representação tradicional. Logo, o objetivo do trabalho inclina-se rumo à convergência com o da comunicação coordenada, pois analisaremos os pontos confluentes entre literatura e história nas criações do discurso literário da obra em questão. Resultando na caracterização da história da Guerra do Paraguai pela literatura. Apresentaremos e analisaremos a imagem criada pelo prólogo que é a de uma Guerra contra o Paraguai por interesses ingleses e também a representação de alguns personagens históricos, mitificados pela historiografia.

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