"Um táxi para Viena d’Áustria": o homem contemporâneo nos labirintos da relativização

Edna de Morais Pereira Testi

Resumo


Estudos da teoria e crítica literária demonstram que o romance tem assumido uma ampla variedade de formas e temas ao longo dos tempos, mantendo-se num constante processo de transformação, ora paulatino, ora intenso, mas sem jamais haver cessado, como bem atestam as mais inusitadas feições assumidas por determinados romances contemporâneos. A nosso ver, esta inquietação fundamenta-se no que constitui a razão de ser do gênero: a pretensão nada modesta de atingir uma forma ideal de representação do mundo com seu eminente protagonista – o homem. A complexidade do romance faz jus à existência complexa do ser que o inspira.  E, a propósito, o romancista e crítico literário Ernesto Sabato, em sua obra O escritor e seus fantasmas (2003), afirma que esta relação torna-se bem mais intensa nos romances dos últimos tempos: “o romance jamais esteve tão carregado de idéias quanto está hoje e jamais, como hoje, se mostrou tão interessado em conhecer o homem”.  Neste trabalho, tomamos como objeto de estudo o romance Um táxi para Viena d’Áustria (1991), de Antônio Torres. Retrato de uma sociedade, metáfora de um país, reflexo da condição humana nos anos finais do século XX, a narrativa em questão abre-se a várias possibilidades de leitura. Apresentamos, aqui, uma análise da principal dicotomia manifestada pelo seu personagem central, Watson Rosavelti Campos ou, simplesmente, Veltinho, que pode ser considerado uma representação perfeita do homem contemporâneo, ou seja, um sujeito desnorteado em meio à intensa e generalizada relativização de formas e valores.  Ao proceder à leitura deste personagem, lemos, também, pelos meandros da arte literária, segmentos da História Contemporânea, uma vez que o homem é um ser social e, conseqüentemente, o produto estético que emana da sua sensibilidade – nesse caso, a literatura – oferece um importante testemunho da realidade de seu tempo.

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