A memória e a modernidade em "Velhos tempos", de Darcy Azambuja

Luciana Crestana dos Santos

Resumo

Escritor regionalista, Azambuja desenvolve em sua obra No galpão (1925) uma coletânea de contos em que encontramos uma verdadeira exposição das lendas, dos "casos" transmitidos
pela oralidade, da tradição campeira enfim, além de relevantes traços da literatura regionalista. No conto “Velhos tempos”, expressa de modo muito bem delineado esta atmosfera da tradição gaúcha e suas respectivas mudanças com a chegada da modernidade, sintetizando o passado na personagem Severo. Através desta personagem, mostra tanto o passado como o presente, a tradição que se mantém e a tradição que teve que se adaptar aos avanços da modernidade. Dessa forma, os velhos tempos recordados por Severo adquirem sentido em suas recordações e em seus aspectos contrastantes com a modernidade, até mesmo a guerra não possui um sentido saudosista, mas sim se consolida como algo atemporal, que permanece em qualquer tempo, em qualquer época. Além disso, a questão da memória é de grande relevância em relação à representação que o conto adquire, já que Severo é o detentor da memória dos velhos tempos, sua memória adquire característica coletiva. Ao relembrar o tempo passado, Severo relembra a memória coletiva do Rio Grande do Sul, a memória do tempo das guerras, das revoluções, das estâncias – a memória dos seus velhos tempos.

Palavras-chave

Darcy Azambuja; regionalismo; saudade; memória; modernidade

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