Vozes femininas nas crônicas de Clarice Lispector: diálogo com as diferenças

Alessandra Dalva de Souza Pajolla

Resumo


A voz contundente de Simone de Beauvoir a nos dizer que as mulheres burguesas só são solidárias entre si, ainda hoje pode soar como um alerta à crítica feminista sobre o risco de problematizar as questões referentes ao gênero, a partir de uma visão essencialista da mulher. A chamada Terceira Onda Feminista não quer por em relevo apenas a opressão às quais as mulheres brancas e de classe média são submetidas; as negras, as migrantes, as pobres entram na agenda do feminismo contemporâneo. Busca-se ouvir outras vozes, aceitando as diferenças e as contradições como fundamentais no processo de desconstrução do discurso patriarcal. Em se tratando de autoria feminina no Brasil, esta concepção já aparecia na obra de Clarice Lispector, o que é incontestável em A hora da estrela. Mas, o presente trabalho tem como objetivo analisar outro legado deixado pela autora: as crônicas escritas para o Jornal do Brasil entre 1967 e 1973. Nota-se uma ponte erguida entre a escritora e suas leitoras, cujas vozes aparecem em muitos textos. A intenção é destacar o olhar de Clarice Lispector sobre as mulheres a sua volta, fazendo um recorte nas crônicas em que as personagens são empregadas domésticas, representando as mulheres duplamente oprimidas.

Palavras-chave


Clarice Lispector; crônicas; autoria feminina; diferenças; crítica feminista

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