A Rainha Margot em duas versões

Maria Lídia Lichtscheidl Maretti

Resumo

Este trabalho tem o objetivo de apresentar um estudo comparativo entre o romance La reine Margot (1845), de Alexandre Dumas père, e o filme homônimo (1994), de Patrice Chéreau, a partir, sobretudo, da consideração de seu caráter histórico, das condições de produção de cada “discurso” e da atuação das personagens em ambas as narrativas. O romance foi originalmente publicado sob a forma de folhetim no jornal francês La presse, durante os anos de 1844 e 1845, o que explica a sua longa extensão e outros traços como o “gancho” entre os capítulos. Ele constitui-se de uma trilogia cuja ação se desenrola durante as guerras de religião, o que lhe garante, dentre outros aspectos genéricos típicos, a classificação como um romance histórico tradicional, tendo o episódio do Massacre de São Bartolomeu como o fato que lhe é mais marcante. Quanto ao filme, que foi merecedor de cinco prêmios César, de dois prêmios no Festival de Cannes e de uma indicação ao Oscar de melhor figurino, tem a atriz Isabelle Adjani no papel de protagonista. Com algumas diferenças relevantes em relação ao romance, observa-se que a ação do filme se passa de agosto de 1572 até 1574 numa Paris que é o alvo da ebulição que caracterizou os conflitos entre os católicos e os protestantes. Desse modo, a comparação entre as duas linguagens artísticas se deterá no estudo do perfil das personagens, das circunstâncias em que foram produzidas e da conformação histórica que lhes é característica.

Palavras-chave

La reine Margot; Alexandre Dumas père; Patrice Chéreau; romance histórico tradicional; cinema francês contemporâneo

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