Retratos da Espanha em Os fantasmas de Goya

Maria de Fatima Alves de Oliveira Marcari

Resumo

1792, Madri. Depois de anos inativa, a Inquisição Espanhola renasce com a missão de conter os ventos laicos que sopram da França revolucionária. Inês de Bilbatúa, filha de um rico comerciante, é vítima da maquinaria inquisitorial que a tortura e viola, através de um de seus instigadores, o monge dominicano Lorenzo. Antes de ser presa, a jovem havia servido de modelo para o pintor Francisco de Goya, que também havia retratado o monge Lorenzo. A figura do pintor aragonês serve de condutor narrativo de uma história que narra a via crucis da jovem Inês e, ao mesmo tempo, recria o cenário histórico da invasão napoleônica (1808), por meio de um elemento fundamental, a pintura. Nosso trabalho pretende analisar as relações entre cinema, pintura e história presentes em Os fantasmas de Goya” (2006), do cineasta tcheco Milos Forman (1932) – cujo roteiro foi transformado em livro homônimo em 2007 –, filme que se apóia principalmente na produção artística de Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828), pintor oficial da corte de Carlos IV (1788-1808) e o cronista mais lúcido de seu tempo, que soube plasmar em suas obras o fanatismo religioso, o ardor populista, a hipocrisia dos governantes e o horror e a violência da guerra.  

Palavras-chave

Cinema e outras artes; intertextualidade; narrativa histórica.

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