ENTRE A NOSTALGIA E O DEVER DE MEMÓRIA: A NARRATIVA MEMORIALÍSTICA DE ALFONS CERVERA

Maria de Fatima Alves Oliveira Marcari

Resumo

RESUMO: Após a publicação de uma série de romances caracterizados pelo experimentalismo formal e a inovação linguistica, o  valenciano Alfons Cervera (1947- ) iniciou um projeto literário de recuperação da memória da pós-guerra espanhola, centrado em uma  trilogia de romances: El color del crepúsculo, (1995), Maquis (1997), La noche inmóvil (1999). A trilogia reconstitui a memória do cotidiano dos habitantes de Los Yesares, nome fictício atribuído ao povoado de Gestalgar, terra natal do escritor, em Valência. As narrativas apresentam semelhanças temáticas e estruturais, assim como varios personagens em comum. Em El color del crepúsculo,  a protagonista Sunta,  através da escritura rememorativa, tenta recuperar o tempo perdido, o abrigo seguro da infância e da adolescência. Maquis, segundo romance da trilogia, por meio de uma narrativa descontínua, descreve a história do cotidiano dos habitantes de um povoado, marcado pela repressão e o medo, e a vida dos guerrilheiros, os maquis, que sobrevivem nas montanhas. Félix, o avô de Sunta, é o protagonista de La noche inmóvil que está à espera da morte, atormentado pelas recordações de seu filho morto e pelas vozes dos amigos que já se foram. Memória e ficção constroem um imaginário ambivalente nos romances, apagando os limites entre a memória pessoal, a memória coletiva e a histórica.  

Palavras-chave

Memória da Guerra Civil Espanhola (1936-1939); romance histórico contemporâneo, Alfons Cervera (1947- )

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