PODE A MULHER NEGRA GAÚCHA FALAR? OFERTANDO OUVIDOS PARA ATENTAR AOS ESPECTROS DE SUAS VOZES SILENCIADAS

Dênis Moura de QUADROS

Resumo

Ao pensarmos as obras produzidas por mulheres negras temos certa dificuldade de listá-las e ao listar precursoras como Carolina Maria de Jesus (1914-1977) e Conceição Evaristo (1946- ) constatamos que as autoras publicam no eixo Rio-São Paulo. Ao nos direcionarmos ao sul do Brasil, a lista lacunar ecoa mais ausências. Contudo, em 2016, o ponto de cultura negra “Sopapo Poético” publica sua primeira antologia de poemas Sopapo Poético: Pretessência (2016) em que dos nove organizadores, quatro são mulheres e dos dezenove poetas, dez são mulheres. Assim, recortamos quatro poetas da antologia que também a organizam: Delma Gonçalves, Fátima Farias, Lilian Rocha e Pâmela Amaro. Além do gênero e da raça, a ancestralidade lhes serve como inspiração para suas poesias resistentes.

REFERÊNCIAS:

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ENVIADO EM 03-05-19 | ACEITO EM 24-07-19

Palavras-chave

Literatura afrofeminina, Dessilenciamento, Sopapo Poético.

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