ENSINAR A CONSTRUIR SENTIDOS: A REFERENCIAÇÃO DISCURSIVA NA FORMAÇÃO DOCENTE

Autores

  • Lovania Roehrig Teixeira Universidade Tecnológica Federal do Paraná Cãmpus Pato Branco
  • Vanda Mari Trombetta UTFPR - Campus Pato Branco

DOI:

https://doi.org/10.48075/1gmvdz31

Resumo

Este artigo discute as implicações de compreender a referenciação como um processo discursivo, destacando como essa perspectiva afeta as concepções de língua, linguagem e sujeito, especialmente na formação de professores de Língua Portuguesa. Busca-se demonstrar que os referentes não são entidades fixas ou espelhamentos do real, mas “objetos de discurso”, construídos socialmente na interação entre sujeitos. A justificativa do trabalho está na necessidade de superar visões tradicionais de referência como correspondência estática entre palavras e coisas; assumir a noção de que a língua é prática social e histórica; e compreender a referenciação como uma atividade discursiva e cognitiva, marcada pela intersubjetividade e pelo dialogismo. Conclui-se que o ato de referir é dinâmico, ideológico e socialmente situado e compreender essa natureza discursiva permite formar professores críticos, capazes de promover práticas pedagógicas que reconheçam a língua como instrumento de transformação social.

Referências

BAGNO, M. Preconceito linguístico: como combater a discriminação. São Paulo: Parábola, 2007.

BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

BAKHTIN, M; VOLOSHINOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2006.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

BOSCH, P. Agreement and Anaphora. A Study of the Role of Pronouns in Syntax and Discourse. Londres: Academic Press, 1983.

BOSCH, P. Pronominal reference and topic continuity. Linguistics, v. 21, p. 1013-1048, 1983.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

CARROLL, L. Alice através do espelho. São Paulo: Autêntica Editora, 2017.

CORRÊA, M. L. G. O discurso e o sujeito: uma introdução à análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2007.

FREGE, G. Sobre o sentido e a referência. In: ALCOFORADO, P. (org./trad.). Lógica e Filosofia da Linguagem. São Paulo, Cultrix/Edusp, 1892.

HARWEG, R. Pronomina und textkonstitution. München: Fink, 1968.

KAMKWAMBA, W.; MEALER, B. O menino que descobriu o vento. Ciranda Cultural, 2021.

KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2004.

KOCH, J.V.; MORATO, E.M.; BENTES, A.C. (Orgs.). Referenciação e discurso. São Paulo: Contexto, 2010.

MAINGUENEAU, D. Gênese dos discursos. Curitiba: Criar Edições, 2005.

MAINGUENEAU, D. Cenas da enunciação: elementos para uma análise do discurso. 2. ed. Campinas: Pontes, 2010.

MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008.

MÁRQUEZ, G. G. Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 2001.

MILNER, J. C. Reflexões sobre a referência e a correferência. In.: CAVALCANTE, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. (Org.). Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003. p. 85-130.

MONDADA, L. A referência como trabalho interativo: a construção da visibilidade do detalhe anatômico durante uma operação cirúrgica. In: KOCH, V.I.; MORATO, E. M.; BENTES, A. C. (Orgs.). Referenciação e discurso. São Paulo: Contexto, 2010. p. 11-32.

MONDADA, L.; DUBOIS, D. Construção dos objetos de discurso e categorização: uma abordagem dos processos de referenciação. In: CAVALCANTE, M. M.; RODRIGUES, B. B.; CIULLA, A. C. (Orgs.) Referenciação. São Paulo: Contexto, 2003, p. 17-52.

STAM, R. Bakhtin: da teoria literária à cultura de massa. São Paulo, Ática. 1992.

ORLANDI, E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, Ed. da Unicamp, 2006.

ORWELL, G. A revolução dos bichos. Cornélio Procópio, PR: UENP, 2015.

Downloads

Publicado

14-09-2026

Como Citar

TEIXEIRA, Lovania Roehrig; TROMBETTA , Vanda Mari. ENSINAR A CONSTRUIR SENTIDOS: A REFERENCIAÇÃO DISCURSIVA NA FORMAÇÃO DOCENTE. Espaço Plural, [S. l.], v. 22, n. 44, p. 134–161, 2026. DOI: 10.48075/1gmvdz31. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/espacoplural/article/view/37698. Acesso em: 17 set. 2026.