A mulher camponesa na luta pela terra: entre a resistência e a reprodução do patriarcado nos assentamentos do Oeste do Paraná
DOI:
https://doi.org/10.48075/ijerrs.v8i1.37379Resumo
O presente artigo analisa a (in)visibilidade da mulher camponesa nas lutas pela terra e nos assentamentos rurais do Oeste do Paraná, buscando compreender como as estruturas jurídicas e simbólicas do campo reproduzem desigualdades de gênero e como as práticas femininas de resistência reconfiguram o sentido da justiça agrária. Adota-se uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, articulando o Direito Agrário, a Sociologia Rural e os Estudos de Gênero, com base em revisão bibliográfica e análise empírica de cinco assentamentos da região. A pesquisa parte da hipótese de que a exclusão feminina no campo resulta da persistência de uma racionalidade patriarcal inscrita na formação histórica do direito fundiário brasileiro. Os resultados indicam que a emancipação das mulheres camponesas ultrapassa o plano econômico, as mulheres assentadas, ao resistirem diariamente, produzem saberes de cuidado e solidariedade, promovendo uma justiça agrária de gênero que desafia a propriedade privada e propõe nova função social para a terra.
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