Da liberdade à reclusão

a manifestação da violência simbólica no universo maravilhoso “De água nem tão doce”, de Marina Colasanti

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250026

Resumo

Na contemporaneidade, a literatura brasileira de autoria feminina tem se afirmado como espaço de denúncia e reflexão acerca das múltiplas formas de violência contra a mulher, ao expor de forma ficcional as marcas deixadas nas vítimas e os mecanismos sutis que sustentam seus algozes. Ao transitar por diferentes gêneros, essas narrativas abordam temas negligenciados e evidenciam a intersecção das opressões de gênero, classe e raça. Nesse movimento, a leitura literária transforma-se em um convite à descoberta de novos sentidos, por meio dos quais as palavras se tornam instrumentos de ressignificação do mundo, o que permite ao leitor recriar a realidade e vivenciar novas perspectivas. Nesse contexto, o objetivo deste estudo é analisar o conto “De água nem tão doce”, de Marina Colasanti (1986), destacando um enredo que problematiza ficcionalmente temas como a violência contra a mulher, a submissão e a opressão. Contudo, ao recorrer à fantasia, a narrativa literária possibilita que seu interlocutor (re)invente formas de processar e compreender esses eventos complexos, de modo que sua eficácia depende da atuação do leitor e do valor que sua leitura confere à obra literária. Dessa maneira, a interpretação literária se constrói a partir da capacidade de fazer inferências e de estabelecer conexões entre o conteúdo da obra e o contexto em que ela se insere. Logo, o exercício da linguagem, no fazer literário, cria um espaço de apreciação e diálogo, configurando-se como expressão de uma leitura crítica sobre o mundo social.

 

Biografia do Autor

  • Leônia Souza de Paula, SEDUC-MT

    Doutoranda em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL- Unemat), Campus Universitário de Tangará da Serra-MT. Mestra em Ensino pelo Programa de Pós-graduação em Ensino (PPGEn) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Campus de Cuiabá - Cel. Octayde Jorge da Silva. Professora efetiva do Estado de Mato Grosso -SEDUC desde abril/2018. Vinculada aos grupos de pesquisa “Ensino de Literatura e Línguas” (GPELL/CNPQ/IFMT) e “Formação de Mediadores e Formadores de Leitura Literária” (GELCO).

  • Epaminondas de Matos Magalhães, Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)

    Doutorado em Letras - Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Pós-Doutorado na Universidade Estadual de Maringá (2015-2017), pesquisando a produção infantil em Mato Grosso. Professor efetivo do Instituto Federal de Mato Grosso - Campus Pontes e Lacerda, atua como professor do Programa de Pós-graduação - Mestrado em Ensino (IFMT/UNIC) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT/Tangará da Serra).

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Publicado

10-04-2026

Edição

Seção

ENTRE O SILENCIAMENTO E A DENÚNCIA: AS VIOLÊNCIAS PRESENTES NAS NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS DE AUTORIA FEMININA

Como Citar

SOUZA DE PAULA, Leônia; DE MATOS MAGALHÃES, Epaminondas. Da liberdade à reclusão: a manifestação da violência simbólica no universo maravilhoso “De água nem tão doce”, de Marina Colasanti. Línguas & Letras, [S. l.], v. 26, n. 61, 2026. DOI: 10.5935/1981-4755.20250026. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/36508. Acesso em: 12 out. 2026.