Tortura, desaparecimento e locais de Memória em La casa de Adela, de Mariana Enriquez
DOI:
https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250031Abstract
Este artigo analisa o conto La casa de Adela do livro Las cosas que perdimos en el fuego (2016) de Mariana Enriquez a partir da relação entre literatura, história e memória, em que a ficção tem a função de discurso alternativo que auxilia na construção do arquivo da ditadura militar argentina (1976-1985). O foco do estudo é a tendência ao fantástico de Enriquez, em que elementos essenciais do gótico tradicional, como o medo, os espaços assombrados e um passado fantasmagórico, é utilizado no conto La casa de Adela para rememorar o período do regime militar. O aporte teórico se fundamenta nas teses de Walter Benjamin Sobre o conceito de história; na discussão sobre a literatura contemporânea argentina de Beatriz Sarlo, Elsa Drucaroff e Josefina Ludmer; e na conceituação do fantástico com base em Rosalba Campra e David Roas. O objetivo do artigo é enfrentar a onda de discursos negacionistas e a ascensão da extrema-direita, nesse sentido, a literatura e a pesquisa acadêmica são formas de intervenção que asseguram que as feridas históricas não sejam esquecidas e que a violência do passado não se repita.
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