A persistência da agricultura familiar sob a égide do capitalismo
dos debates clássicos às dinâmicas contemporâneas de apropriação e substituição
DOI:
https://doi.org/10.48075/88a02j05Palavras-chave:
Agricultura Familiar. Capitalismo. Apropriacionismo. Substitucionismo. Esmagamento do Valor.Resumo
O ensaio analisa as bases teóricas que explicam a persistência da agricultura familiar no âmbito do desenvolvimento do modo de produção capitalista. Embora as formulações marxistas clássicas de Karl Marx, Vladimir Ilich Lênin e Karl Kautsky tenham previsto a dissolução gradual do campesinato e sua substituição por uma estrutura agrária bimodalizada e puramente capitalista, a realidade empírica pós-guerra consolidou a agricultura familiar como forma hegemônica de produção rural nos países desenvolvidos. Para explicar essa contradição, a Sociologia da Agricultura formulou teses alternativas no campo do neomarxismo. Analisam-se, de um lado, as abordagens baseadas na produção mercantil simples de Claude Servolin e Harriet Friedmann, que enfatizam a lógica de reprodução familiar e a funcionalidade dessa categoria para a acumulação de capital urbano-industrial. De outro, examinam-se as teses dos obstáculos naturais de Susan Mann e James Dickinson, que destacam o descompasso entre o tempo de trabalho e o tempo de produção como barreira à penetração direta do capital na esfera produtiva primária. Por fim, discute-se a industrialização fragmentada da agricultura por meio dos conceitos de apropriacionismo e substitucionismo formulados por David Goodman, Bernard Sorj e John Wilkinson, e celebra-se o legado de quase 40 anos dessa obra seminal, atualizando-a para interpretar as dinâmicas brasileiras contemporâneas de automatização, bioindustrialização e o consequente esmagamento do valor na propriedade agrícola, que redefinem a autonomia produtiva e o dualismo no meio rural.
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