A representação do racismo como nódoa perversa no romance Eu não quis te ferir, de Rinaldo de Fernandes
DOI:
https://doi.org/10.48075/rlhm.v22i39.35083Resumo
O mal-estar que acompanha o ser humano em seu curso civilizatório constitui, ao mesmo tempo, um ingrediente fundamental para o intento de assegurar um projeto de sociedade viável e equânime, assim como o fator mais emblemático da sua natureza caótica e deletéria. O racismo, manifestação de preconceito relacionado, de forma preliminar, à distinção da cor das peles, é um dos indícios mais patentes de como, para alguns sujeitos, a comunhão entre igualdades e diferenças concebe uma condição insuportável frente à necessidade de firmamento do laço comunitário. A literatura paraibana, sendo corolário reflexivo da cultura local e nacional, traz inúmeros registros do racismo enquanto marca/mazela social. Amparados pelas considerações teóricas da teoria psicanalítica freudiana e pós-freudiana, da sociologia e da história, tecemos neste trabalho alguns apontamentos analíticos em torno do romance Eu não quis te ferir (2022), de Rinaldo de Fernandes, exemplar contundente de como o racismo manifesta-se não apenas no âmbito marginal, mas como um mecanismo institucionalizado e enraizado na vivência dos indivíduos e das instituições tidas como representantes do próprio processo civilizatório, de modo a expor como o racismo à brasileira não pode ser entendido como algo contingente ou fortuito, e sim justaposto no funcionamento perverso da performance de grande parte dos sujeitos que integram o corpo social.
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