Miséria, tradição e cristandade
"Os demônios", de Dostoiévski, como documento histórico da Rússia Pré-revolucionária
DOI:
https://doi.org/10.48075/0f0kn263Resumo
Este artigo tem como tema as tensões sociopolíticas vivenciadas pela sociedade russa do século XIX diante da modernidade a partir do romance Os demônios (1872), de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). O objetivo desta pesquisa é analisar como o romance social contribui com o processo de historicização desse debate protagonizado por duas gerações de intelectuais cindidas em decorrências de suas divergências interpretativas quanto ao futuro da Rússia no contexto pré-revolucionário, algo pouco explorado pela historiografia latino-americana. Trata-se, dessa maneira, de uma pesquisa bibliográfica de caráter eminentemente exploratório cujos resultados demonstram a possibilidade de se compreender as reverberações do radicalismo niilista enquanto subproduto intransigente do movimento revolucionário russo a partir da representação literária concebida no período. Conclui-se que a obra de Dostoiévski, para além de uma tentativa de resgate dos valores tradicionais vinculados ao campesinato russo ou — interpretação ainda mais grosseira — um mero panfleto contra o movimento revolucionário cuja adesão já havia rendido ao romancista uma condenação, explora com sensibilidade e maestria a conjuntura histórica de sua época na medida em que evoca eventos históricos considerando a conjuntura na qual estão inseridos, reinterpreta ideias e comportamentos culturalmente arraigados e, em alguma medida, antecipa as consequências dos discursos totalitários que se seguirão no dantesco século XX.
Palavras-chave: História da Rússia. Literatura Russa. Modernidade.
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