A conquista do México pelas margens da ficção e da história em Carlos Fuentes
DOI:
https://doi.org/10.48075/k4wwzm94Resumo
Em “Las dos orillas”, Carlos Fuentes reconfigura o discurso da conquista do México através do diálogo entre literatura e história. Ao aproximar diferentes áreas de conhecimento, as redimensiona, criando interpretações que se estabelecem tanto pela interdisciplinaridade quanto pela intertextualidade. Portanto, é no âmbito da literatura comparada que analisamos a sua narrativa, reconhecendo que ela se constrói entrelaçando conceitos da mitologia mexicana (como a concepção do tempo circular), da tradução (no embate entre traição e fidelidade) e da contraconquista (que aponta transculturalidades) para elaborar outras possibilidades de se contar o passado. A narrativa do conto na voz de Jerónimo de Aguilar – personagem post mortem revivido com a palavra para se contrapor à crônica de Bernal Díaz del Castillo, autor de Historia verdadera de la conquista de Nueva España, e com Malinche, a indígena que revelou a Hernán Cortés fragilidades do Império asteca – estabelece pugnas pelo poder da palavra, onde o jogo de traições, invenções e mentiras entre as línguas maia, náhuatl e espanhola determinam os acontecimentos históricos. Porém, diferentemente do registro das crônicas da Conquista, que assinalam uma hegemonia europeia e valorizam uma falsa homogeneidade cultural, narra-se uma Contraconquista, evidenciando que, no contato entre europeus e indígenas, nasceu uma mestiçagem de raças, uma cultura híbrida que permite à literatura de Carlos Fuentes disseminar uma história outra, propondo estabelecer, ao mesmo tempo, relações de convergências e divergências entre América e Europa.
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