Os conflitos socioambientais pelo uso da água no Brasil na perspectiva da Ecologia Política

Carlos Alexandre Leão Bordalo

Resumo

O presente artigo busca atender, na perspectiva da Ecologia Política, a uma crescente demanda por respostas acerca dos conflitos socioambientais causados pelo uso da água no Brasil. Será apresentada a trajetória de criação dessa vertente teórica, mas não como uma “nova ciência”, mas como uma “perspectiva metodológica interdisciplinar”. Além disso, serão destacados os conceitos da Ecologia Política por autores como Joan Martínez Alier, Enrique Leff, Paul Robbins e Paul Little, que, além de explicarem a criação e o arcabouço teórico-metodológico, também mostram os estudos dos conflitos ecológicos distributivos e (ou) os conflitos socioambientais como campo de atuação da Ecologia Política. Ver-se-á, com efeito, que os conflitos socioambientais pelo uso da água são uma manifestação de oposição, divergência ou embate entre diferentes forças e interesses manifestados por diversos atores, com suas antagônicas necessidades, interesses, desejos, valores e modos de vida; falar-se-á, por conseguinte, sobre acesso, uso, apropriação e controle sobre os recursos naturais em diferentes escalas. Defende-se, aqui, a premissa de que a Ecologia Política deve buscar garantir o acesso à água a todos, como um direito humano e livre de conflitos, como defende também a ONU com a diretiva de que não se pode “deixar ninguém para trás sem água”. Assim, a Ecologia Política deve estar presente fora do ambiente acadêmico, participando das diferentes correntes e vertentes, com um olhar socioambiental mais político e ativo.

Palavras-chave

Conflitos socioambientais, conflitos ecológicos distributivos, uso da água, ecologia política.

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