INTERDISCIPLINARIDADE: SUPERAÇÃO DA DIVISÃO DO TRABALHO NO SABER-FAZER CIENTÍFICO OU SUA FRAGMENTÁRIA DESFRAGMENTAÇÃO?

Geraldo Augusto Pinto, Rafael Rodrigo Muller, Caio Antunes, Joana Alice Ribeiro de Freitas

Resumo

O objetivo deste artigo é abordar criticamente a interdisciplinaridade enquanto um movimento epistemológico contemporâneo que propõe superar, concomitantemente, a fragmentação do saber-fazer científico e a atitude contemplativa e determinista do ser humano diante de uma realidade supostamente objetiva e imutável. Mostrar-se-á – com base em uma revisão bibliográfica – que a reflexão humana sobre a realidade – dos primórdios da filosofia ocidental, passando pela constituição da ciência, até os dias atuais – é um processo histórico de disputa em torno da possibilidade da verdade e no qual se enfrentam perspectivas que oscilam entre um objetivismo (a natureza como modelo do real) e um subjetivismo (o conhecimento restrito à experiência do sujeito cognoscente). Diante desse cenário, a emergência do materialismo histórico marxiano trouxe importante contribuição ao demonstrar que o substrato das práxis filosófica e científica está no trabalho – enquanto relação ontológica entre ser humano (social) e natureza – e propor que tais saberes-fazeres não apenas superem suas fragmentações internas, como se lancem para uma transformação revolucionária da realidade. Não sendo tais apontamentos uma novidade histórica, e nem mesmo o tom do modismo atual em torno da interdisciplinaridade, o presente artigo termina por indagar quais seriam, então, os propósitos desse movimento.

Palavras-chave

Interdisciplinaridade; história da filosofia e da ciência; epistemologia; materialismo histórico – Karl Marx.

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