UM AUTOR DE PAPEL? REFLEXÕES SOBRE O PAPEL DO AUTOR CONTEMPORÂNEO NA OBRA DE MARCELO MIRISOLA

Regina Coeli Machado e Silva, Alessandra Valério

Resumo

A ficção contemporânea tem buscado novas formas de contar
as suas histórias. Entre as estratégias narrativas que aparecem de
modo mais freqüente, encontram-se o fortalecimento da perspectiva
subjetiva do narrador em 1ª pessoa. Unida à ampla utilização da 1ª pessoa,
encontra-se, com freqüência, a fusão das figuras do narrador e do
autor que passam a se manifestar em uma só voz. Esse recurso é utilizado
em muitas obras do escritor Marcelo Mirisola, em especial nos romances
O azul do filho morto (2002) e Joana a contragosto (2005). Ao
utilizar o seu nome próprio na extensão de suas obras, Mirisola articula
uma figura autoral, que se manifesta tanto na ficção como fora dela, no
espaço midiático. Tal procedimento além de expor as engrenagens da
construção literária, levanta questionamentos acerca dos novos lugares
ocupados por escritores, obras e leitores em uma sociedade midiatizada.
Essa mobilidade está atrelada, principalmente, a um novo processo de
concepção da escrita, que na atualidade se difere essencialmente do
passado. Em função disso, este artigo resgata a trajetória sócio-histórica
do papel do autor na sociedade ocidental para, posteriormente, compreender
as condições de produção contemporâneas que permitem a
reconfiguração da posição da figura autoral.

Palavras-chave

Literatura contemporânea, autoria, Marcelo Mirisola.

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