ECOS DA GUERRA CIVIL EM A SOMBRA DO VENTO E SOLDADOS DE SALAMINA: O PAPEL DO ESCRITOR

Ana Rita Nunes Vaz

Resumo

Neste artigo, pretendo fazer uma comparação entre duas obras: A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón e Soldados de Salamina de Javier Cercas. Ambas as obras foram publicadas em 2001, têm como pano de fundo a cidade de Barcelona e a região da Catalunha e trazem nas suas linhas ecos da guerra civil e da história de Espanha. De modos distintos, os seus narradores vão empenhar-se numa investigação que os leva a tecer uma manta de retalhos com todas as histórias, livros e pessoas com quem se cruzam. Nessa busca incessante pela verdade, percebemos que ela não é una, pois cada um tem a sua versão dos factos, cada um leva consigo uma peça importante no grande puzzle da reconstrução histórica. O leitor, por sua vez, desfia essa manta de retalhos e vai aprendendo histórias que viveram nas sombras e agora se resgatam, vai reconhecendo traços da sociedade espanhola e o impacto que teve a guerra e o «pacto de silencio». Quis sobretudo assinalar a importância do escritor para manter viva a História e tudo o que faz parte dela, a importância do escritor para reflectir sobre a veracidade dos factos, a verosimilhança dos testemunhos, a memória transfigurada e a heroicidade dos seus protagonistas. Se continuamos vivos enquanto nos recordam, recordemo-nos do passado para que o presente possa manter viva essa herança e, assim, construirmos um futuro melhor.

Palavras-chave

literatura espanhola, guerra civil, memória

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