ENTRE VISIBILIDADES E SILENCIAMENTOS: FORMAÇÃO SOBRE VIOLÊNCIA ESCOLAR E SEUS LIMITES INSTITUCIONAIS
DOI:
https://doi.org/10.48075/zn1bdb98Palavras-chave:
Violência escolar, Formação continuada, Centros de formaçãoResumo
O presente artigo analisa as formações sobre violência escolar no âmbito dos Centros de Formação das Secretarias de Educação, com o objetivo de compreender como essa temática é tematizada nas políticas de formação continuada. Fundamentado em referenciais teóricos que concebem a violência como fenômeno social complexo, destacam-se as contribuições de Charlot, Debarbieux e Galtung, que permitem problematizar suas dimensões relacionais, institucionais e estruturais. Trata-se de uma pesquisa empírica de natureza qualitativa e caráter exploratório-descritivo, baseada na articulação entre dois conjuntos de dados produzidos pelo Ministério da Educação no primeiro semestre de 2025: um levantamento nacional com 2.329 respostas válidas, que identificou 427 Centros de Formação, e um questionário complementar, no qual 75 Centros informaram desenvolver formações sobre violência escolar (17,56%). Os resultados indicam que a violência escolar é predominantemente abordada de forma transversal, associada à convivência e à gestão de conflitos, com maior presença de dimensões relacionais imediatas. Em contrapartida, observam-se assimetrias temáticas relativas a aspectos estruturais, como racismo, gênero, violência institucional e adoecimento docente. Quando associadas às menções abertas de ausência, descontinuidade ou tratamento episódico, essas assimetrias são interpretadas como indícios de baixa institucionalização e de possíveis silenciamentos, sem que se atribua intencionalidade aos Centros. Ademais, observam-se limites institucionais relacionados à fragmentação das ações formativas e à dificuldade de sua implementação no cotidiano escolar. Conclui-se pela necessidade de abordagens mais integradas, contínuas e críticas no enfrentamento da violência escolar.
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