IMPLICAÇÕES DE SUBCULTURAS INCEL, MISOGINIA E PROCESSOS DE RADICALIZAÇÃO DIGITAL NOS PROCESSOS SOCIOEMOCIONAIS EM ADOLESCENTES
DOI:
https://doi.org/10.48075/6q3vhj30Palavras-chave:
Subcultura Incel, Misoginia Online, Radicalização Digital, Violência Escolar, Saúde MentalResumo
A violência escolar tem assumido novas configurações, influenciadas pela mediação das interações sociais por tecnologias digitais. Entre os fenômenos emergentes, destacam-se as subculturas incel e a misoginia online, marcadas pela circulação de discursos de ódio, narrativas de ressentimento e processos de radicalização em ambientes virtuais. Este artigo investigou, a partir da articulação entre estudos empíricos e modelos teóricos da psicologia e sociologia, os processos de formação e manutenção dessas subculturas, enfatizando suas implicações para a violência e o desenvolvimento socioemocional de adolescentes. A análise foi estruturada em três eixos: (1) conceitualização do fenômeno; (2) processos psicológicos e comportamentais associados; e (3) fatores de risco e estratégias de prevenção. Os resultados indicam que a identidade incel constitui uma construção identitária na qual sofrimento psíquico, rejeição e isolamento social são reinterpretados por vieses cognitivos e ideologias fatalistas, como a blackpill. Em câmaras de eco online, essas vulnerabilidades frequentemente se convertem em discursos misóginos e manifestações agressivas, reverberando no contexto escolar por meio de incivilidades, bullying e cyberbullying. As trajetórias de radicalização resultam da interação entre vulnerabilidades individuais, fragilidades nas redes de apoio e a arquitetura algorítmica das plataformas digitais. Conclui-se que a prevenção demanda abordagens biopsicossociais integradas, com implementação de programas de educação socioemocional, alfabetização digital crítica e promoção de masculinidades positivas e relações de gênero equitativas nas escolas.
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