VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E MILITARIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA: APROXIMAÇÕES A PARTIR DE BOURDIEU E FOUCAULT
DOI:
https://doi.org/10.48075/g5g44906Palavras-chave:
Violência Simbólica, Escolas cívico militares, Dominação Masculina, Militarização da EducaçãoResumo
O presente artigo analisa as relações entre violência simbólica, militarização da escola pública, gestão educacional e dominação masculina, tomando como referência as contribuições teóricas de Pierre Bourdieu e, de maneira complementar, de Michel Foucault. O estudo busca compreender de que maneira o modelo cívico-militar contribui para a legitimação de formas de autoridade, disciplina e hierarquia associadas à masculinidade hegemônica no espaço escolar. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, fundamentada na análise de legislações, normativas institucionais e produções acadêmicas relacionadas às escolas cívico-militares. A investigação evidencia que a militarização da educação pública ultrapassa a dimensão administrativa e disciplinar da gestão escolar, configurando-se também como processo simbólico de produção e reprodução de relações de poder. Nesse processo, a violência simbólica manifesta-se como mecanismo de legitimação de práticas disciplinares e hierarquias institucionais que incidem sobre as relações escolares, os modos de convivência e a produção de formas cotidianas de violência no ambiente educacional. Observou-se que valores como ordem, obediência, controle, meritocracia e hierarquia passam a adquirir legitimidade pedagógica e institucional, reforçando modelos de autoridade historicamente associados ao universo masculino. A análise demonstra ainda que as práticas disciplinares presentes no modelo cívico-militar incidem diretamente sobre os corpos, os comportamentos e as subjetividades escolares, produzindo mecanismos de normalização, controle social e reprodução da violência simbólica no espaço escolar.
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