Restos subversivos

a resistência feminina na luta contra o apagamento em Mulheres que mordem, de Beatriz Leal, e O corpo interminável, de Claudia Lage

Authors

  • Maria Jodailma LEITE PUC- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Leila Cristina de Melo Darin PUC- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250021

Abstract

O presente artigo propõe uma análise das narrativas Mulheres que mordem (2015), de Beatriz Leal, e O corpo interminável (2019), de Claudia Lage, tendo por foco a representação das figuras femininas, lutadoras ativistas diante de sistemas políticos repressivos. O romance de Beatriz Leal retrata os anos da ditadura civil militar na Argentina e o de Claudia Lage aborda a ditadura civil militar no Brasil - períodos durante os quais o Estado exerceu poder desmedido, marcado pela censura e repressão, que deixou feridas profundas de violência física e psicológica, por meio de torturas, estupros, assassinatos e desaparecimentos forçados. Como aporte teórico para nortear nossa discussão são utilizadas as considerações de Gagnebin (2006), referentes a memória e testemunho; de Primo Levi (2004) no tocante às ponderações éticas sobre a representação do trauma e de Teles (2015), no que tange à resistência feminina e aos legados das ditaduras na América Latina. Constatamos que as duas escritoras priorizam a literatura como lugar de rememoração, no qual corpos femininos resistem ao apagamento e permanecem vivos nos restos, como memória coletiva. No enlace entre história e ficção, as obras dão voz a protagonistas que, com coragem, resiliência e grande capacidade de transformação abrem espaço para a denúncia contra as atrocidades cometidas por estados repressivos em contextos de extremo autoritarismo.

Author Biographies

  • Maria Jodailma LEITE, PUC- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Graduação em Letras - Português/Inglês - pela Universidade Paulista (2012), Especialização em Ensino de Língua portuguesa e Literatura, Área de Conhecimento Linguística, Letras e Artes pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2015), Mestrado em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2021) e Especialização em Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do ABC (2023). Atualmente, ministra aulas na Educação Escolar Básica, sendo efetiva na Escola Estadual Professor Mario Arminante e no Centro de Educação Infantil Municipal Mitiko Matsushita Nevoeiro. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira. Suas linhas de pesquisas são Educação e literatura; Literatura contemporânea; Literatura realidade e ficção; literatura e identidades; Literatura feminina.

  • Leila Cristina de Melo Darin, PUC- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde ministra aulas no curso de Pós- Graduação em Literatura e Crítica Literária e de Graduação em Letras - Bacharelado em Tradução Inglês/Português. É líder do Grupo de Pesquisa em Estudos da Tradução e da Interpretação (ESTI), certificado pela PUC-SP e cadastrado no CNPq. Suas linhas de pesquisas são Literatura Comparada; Tradução Literária; Ensino da Tradução; Tradução, Língua e Cultura; Tradução Cultural.

Published

10/04/2026

Issue

Section

ENTRE O SILENCIAMENTO E A DENÚNCIA: AS VIOLÊNCIAS PRESENTES NAS NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS DE AUTORIA FEMININA

How to Cite

LEITE, Maria Jodailma; DE MELO DARIN, Leila Cristina. Restos subversivos: a resistência feminina na luta contra o apagamento em Mulheres que mordem, de Beatriz Leal, e O corpo interminável, de Claudia Lage. Línguas & Letras, [S. l.], v. 26, n. 61, 2026. DOI: 10.5935/1981-4755.20250021. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/36235. Acesso em: 12 oct. 2026.