Fim-do-Mundo como Regime

Uma leitura de O céu para bastardos, de Lilia Guerra

Authors

DOI:

https://doi.org/10.5935/1981-4755.20250024

Abstract

Este artigo apresenta uma análise de O céu para bastardos (2023), um romance de Lilia Guerra. O movimento de leitura articula noções de raça, gênero, classe e necrobiopoder como dispositivos para compreender a favela Fim-do-Mundo, cenário onde se desenrola o enredo. Sá Narinha, a narradora, constrói um discurso contrário da ideologia dominante, de forma que a população favelada é caracterizada como digna de direitos que, contrariamente, são negados pelo estado. O ato interpretativo é embasado por Bento (2018), Mbembe (2018), Butler (2019; 2023), Boschetti (2020) e Carneiro (2023), estudiosos que auxiliam a interpretação de que em O céu para bastardos o corpo feminino periférico é o alvo privilegiado da confluência entre patriarcado e necropolítica, uma vez que a feminização da pobreza e a racialização da precariedade sustentam a administração desigual da vida e da morte nas periferias urbanas. A obra é uma forte denúncia das desigualdades sociais presentes no Brasil contemporâneo, ao mesmo tempo em que potencializa a voz de mulheres negras periféricas na busca por igualdade e justiça social.

Author Biographies

  • Ana Carolina Morais de Souza, Mato Grosso do Sul State University

    Graduanda em Letras Habilitação Português-Espanhol na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Desenvolve PIBIC na área de Estudos Literários e participa do Grupo de Estudo e Pesquisa Interinstitucional: Crítica Feminista e Autoria Feminina: cultura, memória e identidade. 

  • Thiago Moessa Alves, Mato Grosso do Sul State University

    Doutor em Educação pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FCT/UNESP), Campus Presidente Prudente-SP. Mestre em Letras (2014), área de concentração em Linguística e Transculturalidade, pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Licenciado em Letras, Português/Inglês e suas literaturas (2008), pelas Faculdades Integradas de Naviraí. Profissional técnico de apoio ao ensino superior na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) lotado na Pró-Reitoria de Ensino da (PROE). É líder do grupo LEQUE - Letramentos em questão (UEMS/CNPq). É professor substituto nos cursos de Letras/Inglês e Letras/Espanhol da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Faz pesquisas nas áreas de Educação e Letras, com ênfase em alfabetização, letramento, discurso e ensino de Língua Portuguesa e Literatura.

  • Mariany da Silva Marques, Mato Grosso do Sul State University

    Graduanda em Letras Habilitação Português-Espanhol pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Desenvolve pesquisa na área de Estudos Literários, vinculados ao curso de Letras. É bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID).

Published

10/04/2026

Issue

Section

ENTRE O SILENCIAMENTO E A DENÚNCIA: AS VIOLÊNCIAS PRESENTES NAS NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS DE AUTORIA FEMININA

How to Cite

MORAIS DE SOUZA, Ana Carolina; MOESSA ALVES, Thiago; DA SILVA MARQUES, Mariany. Fim-do-Mundo como Regime: Uma leitura de O céu para bastardos, de Lilia Guerra. Línguas & Letras, [S. l.], v. 26, n. 61, 2026. DOI: 10.5935/1981-4755.20250024. Disponível em: https://saber.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/view/36540. Acesso em: 12 oct. 2026.